Usos do passado em Tito Lívio

a construção de uma memória romana à época de Augusto (Século I A.C.)

Autores

  • Suiany Bueno Silva Universidade federal de Goiás

DOI:

https://doi.org/10.53000/cpa.v20i29.2228

Palavras-chave:

Memória, História, Poder, Exempla e Roma

Resumo

Discutiremos o papel da escrita da História em Tito Lívio e como a mesma define e consolida uma identidade romana, o ser romano. Trata-se de observar como a estrutura da narrativa aponta para a compreensão de uma História concebida como “mestra da vida” (magistra vitae), ou seja, a utilidade dos exemplos. O valor do estudo da história, em outras palavras, não reside apenas em lições específicas, mas também no exercício de como e o que se olhar desse passado. Neste sentido, ao retomar uma historiografia antiga e aplicá-la em sua escrita, Tito Lívio pretende realizar um trabalho historiográfico que realce a dignidade de seu povo, um aspecto que permite a definição dos comportamentos cívicos romanos, bem como a definição de uma latinidade romana associada às inquietações do contexto presente de Lívio à época de Augusto, durante o século I a.C. - I d.C. Compreenderemos como o discurso histórico de Lívio expressa as demandas políticas de sua contemporaneidade, a partir da relação entre discurso, memória, poder e identidade.

 

Biografia do Autor

Suiany Bueno Silva, Universidade federal de Goiás

Doutora pelo Programa de Pós-Graduação da Faculdade de História da Universidade Federal de Goiás

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Publicado

2016-03-10

Como Citar

Silva, S. B. (2016). Usos do passado em Tito Lívio: a construção de uma memória romana à época de Augusto (Século I A.C.). Revista De Estudos Filosóficos E Históricos Da Antiguidade, 20(29). https://doi.org/10.53000/cpa.v20i29.2228