A leitura de Aristóteles por Peirce e a justificação da indução

Autores

  • Cassiano Terra Rodrigues Instituto Tecnológico de Aeronáutica

DOI:

https://doi.org/10.53000/cpa.v25i35.4296

Palavras-chave:

Indução, Epagögé, Raciocínio não dedutivo, Silogismo, Analiticidade

Resumo

O objetivo deste artigo é apresentar a leitura crítica feita por Charles S. Peirce (1839-1914) do conceito de indução de Aristóteles, tal como apresentado nos Primeiros analíticos, livro II, capítulo 23. Segundo Peirce, Aristóteles chegou um correto entendimento da indução, dando um exemplo perfeito de raciocínio indutivo em forma silogística. No entanto, o estagirita teria cometido dois equívocos: primeiro, a limitação
da indução a um único modo e uma única figura; segundo, a justificação da indução a uma enumeração exaustiva de itens específicos. Na sua crítica, Peirce alega que é possível explicar a indução fazendo uso de outros modos e figuras silogísticas, de modo a justificar outras formas de inferências não dedutivas como Aristóteles não pensara. Além disso, ele rejeita a ideia de uma enumeração completa de itens como a única
forma de indução, lançando com isso as bases de uma crítica mais ampla a alguns pressupostos da filosofia moderna.

Biografia do Autor

Cassiano Terra Rodrigues, Instituto Tecnológico de Aeronáutica

Departamento de Humanidades – Instituto Tecnológico de Aeronáutica, (IEF-H-ITA).

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Publicado

2020-12-18

Como Citar

Rodrigues, C. T. (2020). A leitura de Aristóteles por Peirce e a justificação da indução. Revista De Estudos Filosóficos E Históricos Da Antiguidade, 25(35), 08–24. https://doi.org/10.53000/cpa.v25i35.4296