O movimento dos bichos

notas etnográficas sobre animais, seres humanos e espaços em Urucuia, MG

Autores

  • Luzimar Paulo Pereira Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.53000/rr.v9i1.2076

Palavras-chave:

Movimento, Campesinato, Animais não humanos, Criação

Resumo

A circulação de animais de criação por casas, sítios e fazendas é um importante tópico da vida cotidiana dos moradores das áreas rurais do município de Urucuia, MG. Os "bichos do criatório" são entendidos como produtos da ação humana sobre a "natureza", ao mesmo tempo em que parecem dotados de subjetividades e agências próprias que, muitas vezes, os colocam em confronto com os homens. Os animais em movimento põem em questão os limites físicos esimbólicos de casas, sítios e fazendas, além de estarem intimamente relacionados a diversos aspectos da vida social. A circulação dos bichos está na base dos esforços de produção e manutenção de terreiros, chiqueiros, currais, pastos e roçados. Por outro lado, tal deslocamento aciona formas de reciprocidade responsáveis pela constituição e pela dissolução de vínculos entre seus criadores.

Biografia do Autor

Luzimar Paulo Pereira, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutor em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor Adjunto da Universidade Federal de Juiz de Fora.

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Publicado

2015-10-10

Como Citar

Pereira, L. P. (2015). O movimento dos bichos: notas etnográficas sobre animais, seres humanos e espaços em Urucuia, MG. RURIS (Campinas, Online), 9(1). https://doi.org/10.53000/rr.v9i1.2076

Edição

Seção

Dossiê: Movimentos e práticas de circulação em coletividades rurais