Guardas, jagunços e pistoleiros

narrativas sobre homens de armas em um conflito de terras

Autores

  • Dibe Ayoub Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.53000/rr.v9i2.2303

Palavras-chave:

Conflito, Violência, Jagunços, Narrativa

Resumo

Neste artigo, analiso narrativas de pessoas que vivem um conflito com uma madeireira, com o objetivo de compreender o conhecimento que elas produzem sobre os homens de armas da empresa, nomeados de guardas, jagunços e pistoleiros. Observo como eles são concebidos por elas, considerando as relações de proximidade que dão a forma das narrativas, e as violências das quais guardas, jagunços e pistoleiros são representativos. Ao julgarem os homens de armas pelo seu trabalho e pelas relações com familiares e vizinhos, essas histórias também desvelam o que não se diz sobre os atos de agressão e eventos trágicos do conflito.

Biografia do Autor

Dibe Ayoub, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutora pelo Programa de Pós-graduação em Antropologia Social, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora adjunta do Instituto de Educação de Angra dos Reis da Universidade Federal Fluminense.

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Publicado

2016-10-07

Como Citar

Ayoub, D. (2016). Guardas, jagunços e pistoleiros: narrativas sobre homens de armas em um conflito de terras. RURIS (Campinas, Online), 9(2). https://doi.org/10.53000/rr.v9i2.2303

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