Autonomização do cadastro ambiental rural (CAR)

a face rejuvenescida de conflitos antigos

Autores

  • Francisco Octávio Bittencourt de Sousa Universidade de Brasília

DOI:

https://doi.org/10.53000/rr.v13i2.4453

Palavras-chave:

Agência dos objetos, Grilagem, Cadastro ambiental rural

Resumo

Nesse texto analisamos os desdobramentos da implantação do cadastro ambiental rural (CAR) através das teorias de Alfred Gell e Bruno Latour, oferecendo uma vista alternativa para o “desvio de função” do registro público a partir da ideia de agência dos objetos. Inicialmente discute-se as teorias dos autores citados, em seguida apresentamos os objetivos para os quais o CAR foi pensado. Finalizamos com o reconhecimento de sua autonomização expressa em um conceito expandido de grilagem.

Biografia do Autor

Francisco Octávio Bittencourt de Sousa, Universidade de Brasília

Graduado em Antropologia e Licenciatura em Ciências Sociais na Universidade de Brasília.

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Publicado

2022-08-04

Como Citar

Sousa, F. O. B. de. (2022). Autonomização do cadastro ambiental rural (CAR): a face rejuvenescida de conflitos antigos. RURIS (Campinas, Online), 13(2). https://doi.org/10.53000/rr.v13i2.4453