Narrativas agrárias e a morte do campesinato

Autores

  • Mauro William Barbosa de Almeida Universidade Estadual de Campinas

DOI:

https://doi.org/10.53000/rr.v1i2.656

Palavras-chave:

Brasil, Narrativas agrárias, Campesinato

Resumo

Parece haver um declínio no programa de pesquisa de camponeses e mesmo de um programa de pesquisa do rural. O campesinato morreu como alvo de um programa de pesquisa? Ou o que morreu foi antes um paradigma teórico, deixando em seu lugar temas díspares que não são unificados por uma teoria? Os novos temas e métodos são tão novos como parecem? Essas são algumas das perguntas feitas aqui. E como é possível falar de morte do campesinato quando os sem-terras no Brasil e os zapatistas de Chiapas são talvez os principais movimentos sociais latino-americanos contemporâneos?

Biografia do Autor

Mauro William Barbosa de Almeida, Universidade Estadual de Campinas

Doutor em Antropologia Social pela Universidade de Cambridge, Inglaterra. Professor do Departamento de Antropologia da Universidade Estadual de Campinas.

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Publicado

2012-04-28

Como Citar

Almeida, M. W. B. de. (2012). Narrativas agrárias e a morte do campesinato. RURIS (Campinas, Online), 1(2). https://doi.org/10.53000/rr.v1i2.656

Edição

Seção

Ensaios