Sobre a apropriação das tradições asiáticas no ocidente: yoga, Jung e a modernidade europeia
On the appropriation of Asian traditions in the west: yoga, Jung, and European modernity
Resumo
O objetivo deste artigo é examinar criticamente o horizonte cultural que recepciona as tradições do Yoga no Ocidente, em diálogo com o diagnóstico de Carl Gustav Jung sobre a modernidade europeia, marcada pela psicologização da experiência religiosa e pela perda de uma pedagogia existencial comunitária. Argumenta-se que a importação acrítica dessas tradições opera como sintoma da crise simbólica descrita por Jung, reduzindo o Yoga a uma técnica de regulação da subjetividade e desfigurando sua ontologia e seus desdobramentos iniciático-soteriológicos. Ao responder reativamente a essa fratura histórica ocidental e afastar-se da eficácia formativa que moldou o Yoga no contexto indiano, essa apropriação recoloca uma questão decisiva: o que é, afinal, “Yoga” no Ocidente? O artigo aponta finalmente para o cuidado de contextualização histórica que deve cercar os processos de apropriação de tradições soteriológicas asiáticas, por envolverem estas últimas metodologias sempre adaptadas a idiossincrasias locais.
Palavras-chave: Yoga; metodologias soteriológicas; iniciação; modernidade; Jung.
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