Entre o fixo e o plástico: a noção clássica de instinto e o conceito Freudiano de Trieb
Between the fixed and the plastic: the classical notion of instinct and the Freudian concept of Trieb
Resumo
O presente artigo examina a pertinência histórico-conceitual da distinção entre a “noção clássica de instinto”, tal como discutida por uma certa tradição psicanalítica de língua francesa, e o conceito freudiano de Trieb. Desse ponto de vista, entende-se que o instinto corresponde a um comportamento fixo, rígido e biologicamente determinado, ao passo que a pulsão, em contrapartida, caracteriza-se por sua plasticidade e variabilidade de objeto. Para avaliar esse pressuposto com o devido rigor, o artigo percorre três momentos-chave da tradição naturalista e psicofisiológica de língua alemã com foco em três autores que precederam Freud nessa discussão: Hermann Samuel Reimarus (1762), Wilhelm Griesinger (1843-1861) e Paul Flechsig (1896). A análise dos resultados mostra que, no interior dessa tradição, a noção comporta desde o início uma articulação complexa entre níveis fixos e plásticos de atividade nervosa, e que conceitos como os de reflexo, inibição, afeto e representação, bem como a série prazer-desprazer, já estavam presentes no horizonte conceitual gemanófono bem antes de Freud. Conclui-se então que a noção clássica de instinto, mobilizada por um certo discurso pulsionalista, não encontra pleno respaldo histórico nessa tradição.
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