Colocar em cena a democracia
Operações emancipatórias e redefinição polêmica do sensível
Palavras-chave:
Rancière, Desentendimento, Cena, Jeanne Deroin, Rosa Parks, AparecimentoResumo
Este artigo explora alguns conceitos trabalhados por Jacques Rancière no livro O Desentendimento, de modo a definir a democracia enquanto processo que deriva da inscrição e enunciação dos sujeitos em uma cena de dissenso, que eles criam e recriam por meio de suas ações. Através da insurgência e do aparecimento político de duas mulheres, Jeanne Deroin e Rosa Parks, vemos como Rancière define um método e uma forma de escrita para evidenciar a dimensão estética da política, incluindo aí suas características excessivas, intervalares e dramatúrgicas. Ele se propõe a apresentar e remontar os dois eventos a partir de uma mise en scène que promove uma fratura em um sistema de identidades constituídas, inventa novos modos de experimentar outras formas de enunciação e de existência. Sob esse aspecto, as cenas polêmicas são modeladas nos intervalos entre polícias e políticas, recortando diferentemente o tempo, o espaço, o visível e o invisível, criando enquadramentos consensuais ou dissensuais para orientar nossa experiência no mundo. Esse embate redefine os imaginários políticos que estruturam a maneira como imaginamos nossa existência junto com os outros.
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